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Atualizado em 10/08/2018 às 23h59

Repórteres Sem Fronteiras “desbloqueiam” a sua página Internet no Egipto

A organização de defesa da liberdade de imprensa Repórteres sem fronteiras (RSF) anunciou hoje ter decidido “contornar a censura” e desbloqueou a sua página Internet no Egipto, que estava inacessível desde há um ano. Segundo a Associação para a liberdade de imprensa e de expressão (AFTE), sediada no Cairo, mais de 500 ‘sites’ informativos ou de organizações não-governamentais (ONG) estão atualmente bloqueados no Egito. “Para denunciar esta detenção virtual dos jornalistas, os RSF decidiram contornar esta censura e recolocar em linha o seu ‘site’”, declarou a ONG em comunicado. Entre as páginas Internet bloqueadas no Egito incluem-se ‘sites’ nacionais ou internacionais de informação independentes, próximos da oposição ou moderadamente críticos. As organizações de direitos humanos denunciam regularmente a violação da liberdade de expressão sob o regime do Presidente Abdel Fattah al-Sisi.“Este censura na rede constitui um dos vetores do modelo repressivo que o regime egípcio pretende generalizar. Trata-se de colocar os jornalistas ‘em modo silencioso’ para melhor difundir o conteúdo pró-regime”, declarou Eloide Vialle, responsável da Secção Jornalismo e Tecnologia nos RSF. “O outro vetor são as tecnologias que servem para os perseguir, com algumas a serem vendidas por empresas europeias”, acrescentou Vialle. Os RSF apelam às “democracias a condenarem o modelo de uma Internet fechada, censurada, vigiada pelo regime egípcio”, prosseguiu. A iniciativa dos RSF insere-se no âmbito da sua operação “Collateral Freedom” (Liberdade Colateral), que permite contornar a censura através da técnica do “mirroring” (ou do “espelho”). Esta técnica, segundo a organização, consiste em “duplicar os ‘sites’ censurados e concentrar cópias nos servidores de ‘gigantes’ da web”. Diversos ‘sites’ egípcios também recorreram a diversos meios técnicos para contornar o bloqueio. As autoridades nunca reconheceram ou desmentiram a sua responsabilidade nestes bloqueios. Em julho, o parlamento do Cairo votou uma lei que reforça o controlo do Estado sobre o acesso a ‘sites’ internet, mas igualmente sobre as contas pessoais nas redes sociais que garantem 5.000 ou mais assinantes. As autoridades egípcias afirmam pretender combater as “falsas informações” que na sua perspetiva “prejudicam” os “interesses nacionais”. O Egito surge em 161.º lugar (em 180 países) na classificação dos RSF de 2018 sobre liberdade de imprensa.
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Autor/Fonte: Dnoticias.pt

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