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Atualizado em 13/03/2018 às 14h00

Irmã de paciente diz que Santa Casa de Taquaritinga omite informações após transfusão de sangue errada

Dona de casa com anemia falciforme foi internada na UTI após receber sangue A- em vez de B+. Farmacêutico reconheceu troca de bolsa à polícia e hospital instaurou sindicância para apurar o caso. Paciente recebe sangue do tipo errado em hospital em Taquaritinga, SP A estudante Isabel Kelly de Oliveira, de 22 anos, reclama que a Santa Casa de Taquaritinga (SP) está omitindo informações sobre o estado de saúde da irmã, a dona de casa Ingride Danieli Menezes, de 27, que recebeu sangue errado durante uma transfusão no hospital. Ingride segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela sofre com anemia falciforme, doença genética que provoca alterações nos glóbulos vermelhos, responsáveis por transportar oxigênio dos pulmões aos tecidos do corpo. Isabel diz que Ingride reclama de dor no corpo e falta de ar, e está respirando com auxílio de uma máscara de oxigênio. A estudante acompanhava a irmã na Santa Casa, quando ocorreu a transfusão errada, na tarde desta segunda-feira (12). “A gente não sabe o que está acontecendo com ela. A gente chega à Santa Casa e eles falam que ela está bem. Só que você olha e vê que não está. Ela reclama muito de dor e, como já tem problema renal, esse sangue errado pode afetar o rim”, diz. Ingride Rogrigues Menezes foi levada à UTI da Santa Casa de Taquaritinga após transfusão de sangue errada Arquivo Pessoal A estudante relembra que Ingride começou a passar mal cinco minutos após o início da transfusão. Ao olhar a bolsa de sangue, Isabel viu que se tratava do tipo A negativo e percebeu o erro, já que a irmã tem sangue tipo B positivo. “Não dá para aceitar, porque é um erro que não poderiam ter feito. Com vida, deveriam ter prestado mais atenção. As enfermeiras tinham que ter checado se era realmente o sangue correto para ser aplicado nela”, afirma. Ainda de acordo com Isabel, tanto as enfermeiras, quanto a equipe médica, negaram o erro a princípio. Mas, o farmacêutico responsável pelo banco de sangue do hospital confirmou que havia trocado a bolsa de Ingride pela de outra paciente. A estudante Isabel Kelly de Oliveira, irmã da dona de casa Ingride Danieli Menezes Antônio Luiz/EPTV “Até mostrou para a minha mãe o sangue que foi errado. Mas, a gente não sabe a quantidade de sangue que minha irmã tomou, a gente não sabe aonde foi parar a bolsa de sangue, a gente não sabe de mais nada”, diz. A família registrou um boletim de ocorrência e a Polícia Civil instaurou inquérito por lesão corporal. Em depoimento na delegacia, o farmacêutico alegou que havia duas pacientes com o mesmo prenome no hospital e que o tipo sanguíneo foi trocado nas fichas médicas. “A gente queria um parecer da Santa Casa. O responsável pelo hospital também não fala nada, ninguém fala nada. É um erro que eles tinham que pagar. É uma vida, não poderiam ter errado, isso jamais poderia ter acontecido”, desabafa Isabel. O neurologista Maurício Lofrano, diretor da Santa Casa de Taquaritinga, SP Antônio Luiz/EPTV Diretor da Santa Casa de Taquaritinga, o neurologista Maurício Lofrano afirmou que uma sindicância será instaurada, mas defendeu que o hospital realiza transfusões de sangue diariamente e essa foi a primeira vez que enfrenta uma situação como essa. “Fatalidades acontecem, desatenções acontecem, e vamos apurar tudo isso. Vamos ver se existe algum erro, já que o hábito das transfusões, a rotina das transfusões é muito grande. Nós temos centro cirúrgico, então isso se faz todos os dias”, diz. Lofrano nega que o hospital esteja omitindo informações, explicando que a família precisa respeitar os procedimentos do hospital, como o horário de visita na UTI. O médico diz ainda que a dona foi levada à unidade por precaução e não corre risco de morrer. “A colocação dela na UTI foi por uma ideia de que pudesse, de repente, ficar instável. Pelas informações que recebi, essa instabilidade não houve. Ela está bem, ela poderia até estar saindo da UTI. É que foi um fator novo para nós e estamos atentos a tudo isso”, conclui. Investigação A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso, após a mãe de Ingride registrar um boletim de ocorrência nesta segunda-feira, relatando que a filha havia recebido sangue errado durante uma transfusão na Santa Casa. À polícia, a mulher relata que, passados cinco minutos do início do procedimento, Ingride reclamou de formigamento em todo o corpo, dores no meio das costas e falta de ar, além de apresentar palidez, peito e rosto avermelhados. A enfermeira e o médico foram chamados por Isabel, que a acompanhava a irmã no hospital. A equipe constatou que Ingride recebia sangue do tipo A negativo, e não B positivo, e suspendeu a transfusão, Segundo a Polícia Civil, a dona de casa passou a receber medicação para reverter o quadro clínico e foi levada à UTI, onde permanece internada. Ingride está consciente e o estado de saúde é considerado estável. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão e Franca
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Autor/Fonte: Globo.com

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