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Atualizado em 18/09/2018 às 19h00

Ativista pede apuração após morte de gado em fazenda bloqueada pela Operação Sevandija

Rebanho foi encontrado com sinais de desnutrição na propriedade em Cajuru, SP. Vacas e imóvel foram comprados com dinheiro desviado da Prefeitura de Ribeirão, afirma Ministério Público. Um ativista entrou com uma representação na Polícia Federal (PF) para pedir a apuração dos supostos maus-tratos ocorridos na fazenda da advogada Maria Zuely Librandi, bloqueada pela Justiça na Operação Sevandija. Segundo denúncia feita pela EPTV, afiliada da TV Globo, o gado da propriedade em Cajuru (SP), que deveria ser leiloado em setembro para ressarcimento dos cofres públicos, está morrendo por desnutrição. Segundo apuração da EPTV, ao menos 50 animais da raça holandesa morreram de fome nas últimas semanas. Ao menos dez carcaças foram flagradas pela reportagem a as vacas que sobreviveram estão abaixo do peso ideal, com sinais visíveis de desnutrição e descuido. Com a condição de não serem identificados, vizinhos relataram que a maioria do gado leiteiro que já morreu está sendo enterrada pelos funcionários da fazenda. Na época da deflagração da operação contra a corrupção em Ribeirão Preto (SP), em setembro de 2016, o rebanho era composto por 182 cabeças de gado adulto e 29 bezerros. Vacas holandesas são encontradas mortas em fazenda em Cajuru, SP Carlos Trinca/EPTV Gado na fazenda bloqueada pela Justiça apresenta condições de desnutrição em Cajuru, SP Carlos Trinca/EPTV “É fato que foram constatados maus-tratos por causa das vacas magras. Segundo informações de vizinhos, há falta de alimentação e constatei crime contra o meio ambiente, que é o descarte de animais em área inadequada. No caso, deveriam comunicar a Prefeitura de Cajuru para buscar os animais e descartá-los em local apropriado”, diz o ativista Marcos Murakami. Em agosto deste ano, a empresa Leilão Judicial Eletrônico, contratada para cuidar dos trâmites com os possíveis compradores, informou gastos de R$ 31,1 mil com medicamentos, vacinas, alimentação para o gado, além da contratação de um zootecnista. Documentos foram anexados ao processo para reembolso. Avaliada em R$ 1,7 milhão, a fazenda de 98 hectares é um dos bens bloqueados pela Justiça para ressarcimento dos R$ 45 milhões desviados na gestão Dárcy Vera (sem partido) na fraude dos honorários advocatícios. O montante foi repartido pela advogada Maria Zuely Librandi com a ex-prefeita e outros réus, condenados à prisão por corrupção no início de setembro. Propriedade na zona rural de Cajuru está em nome de Maria Zuely Alves Librandi Reprodução/EPTV Com a condenação, a propriedade e tudo o que está dentro dela, incluindo equipamentos de ordenha mecanizada e os animais, deve ser leiloado para ressarcir os danos ao erário. Desde o bloqueio, em setembro de 2016, a Justiça nomeou o filho da advogada, Leandro Librandi, como fiel depositário do imóvel. “Se ele está nomeado, a responsabilidade de tudo o que acontece ali, material, inclusive vidas, é dele. Ele tem que ser responsabilizado e com rigor”, diz o ativista Marcos Murakami. No final de agosto, quando a empresa leiloeira manifestou os problemas encontrados com o gado, Librandi afirmou que enfrenta dificuldades financeiras por estar com bens bloqueados e não conseguir oferecer alimentação balanceada, assim como vacinação adequada, ao gado. Procurado pela EPTV nesta terça-feira (18), Librandi afirmou que as dificuldades para manutenção do rebanho foram relatadas à Justiça. Segundo ele, como a fazenda está em leilão, a responsabilidade é dos leiloeiros, mas que tem ajudado no que é possível. A empresa Leilão Judicial Eletrônico informou que o gado está recebendo a alimentação e cuidados adequados, mas que o responsável é o fiel depositário. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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Autor/Fonte: Globo.com

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