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Atualizado em 12/10/2018 às 07h20

Especialista destaca a importância das atividades físicas e brincadeiras no desenvolvimento infantil

Pesquisadora aponta que brincadeiras perdem espaço devido à insegurança nas ruas, mas aumento do uso de equipamentos eletrônicos podem prejudicar desenvolvimento físico. Duda gosta de colorir e de jogos no tablet, mas não abre mão de brincar na rua com os amigos Ana Paula Cândido/Arquivo Pessoal “Eu brinco na rua, mas também gosto de colorir, de jogar no tablet e de ver TV. Se eu tivesse que escolher só uma coisa, eu ia preferir brincar na rua”, conta a estudante Maria Eduarda Oliveira, a Duda, de 10 anos. Junto às demais crianças da vizinhança, ela aproveita a tranquilidade da rua onde mora, no Bairro Cidade Nova, em Governador Valadares. Duda conta que o irmão mais novo, Estevão, de quatro anos, também gosta de ir para a rua encontrar os coleguinhas para brincar. Reunida com a criançada na calçada, a menina gosta de brincar pique-esconde, peteca e jogos com bola. O que para Maria Eduarda virou rotina, para muitas crianças é algo distante, conforme explica a educadora física Meirele Silva. Ela fez uma pesquisa de doutorado que investigou o comportamento sedentário e o impacto dele no surgimento de doenças cardiovasculares, e descobriu que a insegurança das ruas é um dos fatores que tem influenciado no aumento do sedentarismo entre as crianças. “A insegurança nas ruas, seja por conta de trânsito movimentado ou pela violência, faz com que muitos pais prefiram a criança dentro de casa, onde há limitações para as brincadeiras tradicionais. Assim, isso acaba favorecendo o aumento do que a gente chama de tempo de tela, que é a exposição à televisão, computador, tablets, celulares. Isso pode ser prejudicial à criança, porque o sedentarismo provocado pelo aumento do tempo de tela influência no desenvolvimento de doenças crônicas futuramente”, explica a pesquisadora. Brincadeiras infantis estimulam a consciência corporal e evitam surgimento de doenças crônicas Leonardo Morais/Prefeitura de Governador Valadares Meirele Silva reconhece a importância das mídias digitais na difusão do conhecimento e como um lazer acessível à maioria da população, mas aponta que as brincadeiras de rua auxiliam no desenvolvimento da consciência corporal e na promoção da saúde mental e do corpo. “No nosso estudo, verificamos que o tempo de tela é maior em famílias de menor renda, porque têm menos acesso à outras formas de lazer. Mas nossa sugestão, que serve para todas as famílias, é aproveitar mais espaços os públicos como praças, quadras e parques. Uma caminhada, um passeio de bicicleta em família, por exemplo, já são formas de estimular a atividade física e ainda fortalecer os laços. Atividades assim possuem um baixo custo e trazem um ganho na saúde muito importante”, ressalta a especialista. O pai da Duda, o motorista de aplicativo Vinícius Oliveira, conhece bem essas sugestões. Casado com uma pedagoga, ele sempre esteve atento para oferecer atividades ao lar livre para os filhos, mesmo quando moravam em outro endereço que não era tão tranquilo. "Hoje eu tenho a sorte de morar um lugar calmo, mas quando estávamos em outra casa, nessa época nós íamos em praças pra ela andar de bicicleta, programas assim". Vinícius revela ainda que ele a esposa não têm preocupação com dar presentes aos filhos no Dia das Crianças. "Existe muito incentivo da publicidade com o comprar, o gastar, mas não são esses valores que a gente quer ensinar. Então às vezes têm presente, se a gente tiver sem dinheiro, aí não têm. Hoje meus familiares vêm almoçar em minha casa, é um dia de reunião, as crianças vão brincar com os primos. Acredito que essa experiência é muito mais importante", conclui.
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Autor/Fonte: Globo.com

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